Você sabe qual é o SEU papel na obra missionária?
Como parte do Corpo de Cristo, qual é o nosso papel em missões? Lembro-me que alguns anos atrás o “fazer missões” era baseado apenas naqueles que iam, sendo assim, eu jamais poderia ser uma missionária. Em termos de experiências, conhecimento e condições financeiras, além, é claro, de uma visão limitada, não haveria como acontecer. Até que num belo dia, uma pessoa usou um exemplo magnífico que me fez entender como o Corpo de Cristo opera em missões. Vou usar esse mesmo desenho aqui com você.
Imagine que uma pessoa caiu em um poço muito fundo. Ele está perdido, no escuro e com o passar dos dias, sofrendo risco de vida. Está fraco, sem forças, com fome, sede, desidratação. Não consegue fazer nada por si próprio e já se feriu tentando sair do poço sozinho. Outra pessoa que estava de passagem (esse será você), uma que está do lado de fora do poço, ouve os pedidos de socorro que agora já são baixos, quase sussurrados. Ele se dispõe a ir até o poço e ajudar, mas ao tentar jogar uma corda e puxá-lo para fora sozinho, tudo dá errado. Aquele que caiu está fraco, sem forças para segurar a corda com firmeza e você não tem uma visão perfeita do fundo, muito menos braços fortes o suficiente para puxá-lo sozinho. Então você pede ajuda a outras pessoas que também estão passando e que precisam acreditar que há alguém ali dentro que precisa de ajuda. Um plano é formado.
Você amarra com firmeza corda ao redor da sua cintura e se dispõe a ser içado com segurança para a escuridão. Um segundo elemento, com uma lanterna de longo alcance, irá iluminar o caminho pelo qual você irá descer, evitando assim feridas ao seguir por um caminho equivocado. Outro terceiro irá soltar a corda, descendo-o aos poucos e um quarto elemento será a âncora, aquele que com firmeza sustentará você. E assim o resgate será efetivo. Conseguiu imaginar? Agora, vamos entender melhor esses papéis.
Aquele que caiu no poço são todas as vidas que precisam desesperadamente ser salvas por Jesus (já estivemos nessa situação, outrora). Algumas delas não enxergam mais a luz lá de cima. Outras se jogaram achando que seria uma aventura divertida. Outras ainda já se feriram tentando sair e algumas delas estão ali há tanto tempo, que desistiram de pedir socorro. Não preciso nem mesmo falar daquelas que já morreram, não é?
Aquele que desceu até o poço, arriscando-se nesse trajeto imprevisível, é o missionário enviado para a missão. Ele ouviu o pedido de socorro, por mais baixo que soasse. Ele abandonou seu lugar de conforto e sua caminhada tranquila em um domingo à tarde para se sujar e mergulhar na escuridão daquele poço.
Aquele com a lanterna, cuja voz trás direção, é a figura do pastor, ou da liderança, que direciona essa caminhada. Quanto mais se desce, menos alcance a luz do sol terá. Ao se segurar na corda e sustentar as mãos fracas daquele que precisa ser resgatado, não há chances de segurar uma lanterna sozinho, certo? Então você conta com a direção dele.
Aquele que está lançando a sua corda para baixo, pouco a pouco, é o mantenedor. Ele tem meios de ajudá-lo e não os nega ao serviço de resgate. Ouso dizer que a própria corda pertence à ele. Dinheiro, alimento, divulgação. Para quem está mergulhado no fundo do poço e para aquele que se lançou até ele, toda ajuda será bem-vinda.
E por fim, mas não menos importante, temos a âncora, aquele que também se amarrou à corda, mas manteve os pés firmes no chão e nesse caso, o joelho dobrado em oração e intercessão. Ele o segura conforme você se lança. Ele é o intercessor. Ele está na brecha com você, tão envolvido nessa missão quanto você.
É assim que a missão funciona. O missionário enviado, a liderança, os mantenedores e os intercessores, todos envolvidos no resgate daquele que é precioso aos olhos de Deus. Não é fácil, e nem rápido, mas acredite, sozinho ninguém consegue, muito menos aquele que está caído.
Mesmo com essa ilustração, acredito que muitos questionamentos podem advir . Existe uma série de contrariedades que podem surgir na sua mente para tentar afastá-lo dessa importante área da vida do cristão. “Não tenho dinheiro o suficiente para contribuir financeiramente”, “Não sou um líder, não tenho como guiar ninguém”, “Não conheço missionários”, “Como vou chegar a um lugar desconhecido e pregar?”. A resposta? A melhor de todas, eu diria, é adquirir uma postura de dispor-se e buscar a Deus.
É válido ressalta que isso não quer dizer, de maneira nenhuma, que todo o trabalho missionário é feito pela força dos nossos braços ou que podemos executar um papel e ignorar todos os outros – dar dinheiro e não orar, viajar em missões, mas sem a benção e direção da liderança. Não. Não funciona dessa forma.
Sem o auxílio do Espírito Santo nos direcionando e dando discernimento, sem um coração que chora e anela por vidas, compreendendo o significado do perdão e da misericórdia de Deus e o quanto outros carecem da mesma graça oferecida à nós – tão pecadores quanto eles –, sem a iluminação da Palavra e um coração disposto a ouvir os pedidos silenciosos de socorro ao invés de continuar a caminhada ignorando os poços escuros recheados de perdidos, nada será feito. Cada um executa um papel importante para o avanço do Reino de Deus e ao longo da nossa trajetória vamos compreendendo melhor o nosso lugar, desde que estejamos aos pés dEle.
Ficou um pouco mais claro agora, querido (a) irmão (a)? Medite nessas palavras e ore a esse respeito. Busque zelar, como parte do Corpo de Cristo, pelas obras missionárias. Isso queima no coração do nosso Senhor e Salvador. É necessário que queime no nosso coração também.
— Danielly N Ferreira