O IDE é para você também?
É comum em nossa vida errarmos em não nos posicionar nos momentos mais oportunos e necessários. A natureza caída e pecadora – na maioria das vezes – encontra mais espaço em nossos pensamentos, ações e reações do que o homem interior que é espiritual e alicerçado na videira verdadeira e no temor e obediência à Palavra de Deus.
Jesus – ao caminhar entre nós – foi diferente e a partir da vida do próprio Cristo, sempre pensei que duas de suas falas (sem anular as outras, é claro) são as mais importantes: a pregação feita aos seus discípulos antes da sua morte – as últimas palavras daquele que era 100% homem e 100% Deus – e o alvo central da sua pregação após ressuscitar, dentro do breve tempo que teve antes de ascender aos céus.
O que era tão urgente e necessário para Jesus, a ponto do nosso salvador escolher priorizar tais assuntos nas suas pregações em detrimento de outros, a ponto dos próprios discípulos registrarem tais palavras ao invés de outros feitos milagrosos? João deixou claro que nem tudo foi registrado, pois nem todo o mundo poderia conter os livros que escrevessem sobre os feitos realizados pelo Filho de Deus (João 21:25). Vamos analisar.
Em João (livro ao qual pretendo dar ênfase), capítulo 13, antes da páscoa e da sua crucificação, sabendo ele que “já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai” (João 13:1), Jesus falou sobre ser servo e sobre como devemos seguir o exemplo dele em tudo (especialmente em serviço): “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também” (João 13:15). Vale o lembrete: Jesus amou, pregou, serviu e se sacrificou.
No capítulo 14, ele tranquiliza o coração dos seus discípulos ao lembrá-los que algo melhor está preparado: ainda em terra, o Espírito Santo, e na eternidade, uma morada junto dEle. No capítulo 15 Jesus enfatiza o quanto não podemos fazer absolutamente nada SEM Ele, e reitera um mandamento: “Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei” (João 15: 12). Em João 16, Jesus os alerta sobre sua morte e ressurreição e no capítulo 17, realiza a oração sacerdotal, delegando aos discípulos a continuidade da sua obra reconciliadora na terra: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu vos enviei ao mundo” (João 17:18).
Sendo assim, algumas palavras chaves ficam claras através da pregação de Jesus (às quais eu aconselho que você se aprofunde na leitura dos capítulos completos): serviço, esperança, capacitação do alto (Espírito Santo), dependência do Pai, amor ao próximo e envio.
Após a sua ressurreição, sobre o que Jesus tratou? “Então, Jesus aproximou-se deles e disse: “Foi-me dada toda a autoridade no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos” (Mateus 28:18-20). TODA a autoridade foi conferida à Jesus. E o que ele fez ao recebê-la? Nos comissionou à pregação do evangelho e a partir disso, ele estaria sempre conosco. Jesus até mesmo disse que faríamos obras maiores!
É comum o engano – por ignorância, ou por escolha – de muitos crentes ao supor que a obra missionária se destina apenas àqueles com um chamado específico de ir para nações. Mas não é isso que Jesus dá a entender em suas falas. Ele enfatiza a obediência aos seus mandamentos, o serviço e o amor ao próximo e a pregação do Reino de Deus. Eis aqui alguns trechos: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos” (João 14:15). “Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?” (Lucas 6:46). “Por onde forem, preguem esta mensagem: O Reino dos céus está próximo” (Mateus 10:7).
E o propósito disso é a glória de Deus: “Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus”. (Mateus 5:15-16).
Há uma declamação da canção “Meu Querer”, da Banda Morada, que gostaria que você lesse com atenção: “Eu me comprometo, me comprometo a fazer do teu querer, o meu querer. Quero que o seu vento me faça chegar aos lugares onde se encontram todos os mesmos motivos que te fizeram ultrapassar a morte. As pedras não clamarão, os oprimidos já clamaram e isso basta pro Seu coração. Quero unir a minha voz à deles. Quando a angústia sufocar a liberdade, ninguém falará em meu lugar. E ainda que o pecado ameace bradar, quero ter a força de quem foi alimentado pelo pão da tua vontade, para que o revide soe eternamente. As minhas obras, que sejam elas as que o Amor me delegou. Que o suor derramado no caminho do semeador evapore a ti com o calor do sol da justiça, e que o sangue dos acusados no passado e justificados para todo sempre escreva na terra todos os pregos que o amor criou para expressar a vida”.
Como isso é forte!
Encerro com as palavras do irmão Yun (Livro: O Homem do Céu), um missionário chinês que carrega no corpo as marcas do evangelho e de uma vida de serviço, e ainda assim, não teme o sofrimento da pregação: “A “grande comissão” permanece a mesma. Muitas comunidades tendem a criar o céu na Terra, mas, enquanto não obedecerem à grande comissão e levarem o evangelho aos confins do mundo, as igrejas ocidentais estarão apenas brincando de Deus, sem seriedade diante da verdade. Muitas igrejas são lindas por fora, mas estão mortas onde é mais importante, no interior. Quem quiser mesmo ver o Senhor se mover, precisa fazer duas coisas: conhecer a Palavra de Deus e OBEDECER às ordens divinas“.
Medite nessas palavras. Medite na mensagem e no exemplo de Jesus. Ore a respeito disso e peça para que o Espírito Santo – aquele que definitivamente pode nos guiar em toda verdade (João 16:13) – alicerce e alimente o exemplo de Cristo no seu coração. Diante disso, responda com sinceridade: A missão é um chamado para todos? O IDE é para você também?
— Danielly N Ferreira